Consultoria APS, S&OP e MES para Indústrias | LSB Siemens Partner
O artigo mostra que a baixa qualidade de dados é uma das principais causas de planos que falham no PCP, gerando estoques incorretos, atrasos e retrabalho. Destaca que problemas começam no cadastro, apontamentos e integração, e que um checklist estruturado ajuda a garantir dados confiáveis e decisões mais assertivas.
Você não perde noite por causa do plano. Você perde por causa do que o plano acredita ser verdade.
Quando o PCP “erra”, o estrago raramente aparece como “dado ruim” na tela. Ele aparece como capital parado em estoque, venda perdida por ruptura, expedição remarcada, produção replanejada em modo incêndio e item vencendo no almoxarifado.
E é por isso que o título fala em “90%”. É uma provocação, não uma estatística universal. O ponto é outro: a maior parte da dor do PCP começa antes do planejamento rodar — começa no cadastro, no apontamento, na integração e na governança do dado.
Se você quiser um jeito prático de tratar isso, este artigo te entrega um checklist técnico (bem pé no chão) para reduzir as falhas mais recorrentes de qualidade de dados que sabotam o seu MPS/MRP — e, de quebra, elevar a credibilidade do PCP dentro da empresa.
O Gartner define qualidade de dados como o quanto o dado é “usável” para os casos de uso prioritários (e não uma busca infinita por perfeição).
Isso é essencial no PCP por um motivo simples:
Quando o dado é inconsistente, cada área “fala uma língua” diferente. E aí o PCP vira o tradutor simultâneo… só que traduzindo ruído.
Duas frases duras, mas úteis:
Agora conecta isso com chão de fábrica / logística:
E tem um detalhe cruel: estudos apontam que uma fonte pequena e não detectada de inacurácia pode acumular e desbalancear o sistema em “efeito bola de neve”.
Ou seja: não é “um errinho”. É um mecanismo de degradação contínua.
Se você quer atacar “90% do estrago”, você precisa separar as frentes.
Produto, material, unidades, famílias, roteiros, recursos, calendários, parâmetros, políticas etc.
Aqui entra a lógica de Master Data Management (MDM): criar uma visão confiável e “autoritativa” do dado, com rastreabilidade e responsabilidade clara — uma “fonte dourada” para o que é compartilhado na empresa.
Pedidos, ordens, apontamentos, entradas/saídas, saldos, reservas, WIP.
O ponto: transação “correta” em cima de cadastro “torto” continua torta.
E cadastro “correto” com transação “furada” também.
Tabelas, domínios, listas válidas, status, motivos, classificação ABC, regras de preenchimento etc.
A Deloitte chama atenção que gerenciar dados de referência é chave para reduzir erros, e que esses dados precisam ser confiáveis, atualizados e com responsabilidades claras de manutenção.
A lógica aqui é simples:
E vai fazer isso usando dimensões de qualidade (ex.: acurácia, completude, consistência, atualidade, validade) que os grandes portais da indústria listam como base para medir e melhorar.
Por que isso vem primeiro? Porque inventário errado não só atrasa o plano, como também fabrica decisões erradas em cadeia.
O artigo da Production define a inacurácia como a diferença entre inventário físico e o inventário registrado no sistema, e descreve duas distorções comuns:
O que checar (mínimo viável):
Ponto provocativo (pra discussão interna): Se a empresa trata contagem como “custo” e não como “controle do dado”, ela está aceitando operar com decisões de PCP baseadas em suposições.
Esse item parece básico… até você ver a quantidade de empresa que erra aqui e depois culpa o PCP.
Um material aberto hospedado por capítulo ASCM destaca que o nível de inventário é gerenciado por vários fatores, incluindo manter lead times de produto acurados, definir lotes e revisar forecast (entre outros).
O que checar:
Ao falar de prontidão de dados para transformação de ERP, alguns estudos dão exemplos bem diretos:
Traduzindo para o PCP: se a “identidade” do item muda dependendo do sistema (ERP, APS, WMS, planilha), o plano vira uma colagem.
O que checar:
No seu artigo “Master Data Management”, a Deloitte é direta: data governance é disciplina contínua, com processos, ownership e responsabilidade para criação, manutenção e uso dos dados. E sugere perguntas que, no PCP, mudam o jogo:
O que colocar de pé (prático):
Do checklist à rotina:
Ferramentas APS e MES ajudam a “impor regra” (campos obrigatórios, domínios), registrar alteração (rastreabilidade), e padronizar a criação/alteração de cadastros e parâmetros que afetam o plano. É aqui que projetos com Opcenter APS + camada de execução/apontamento (MES/SFC) começam a virar “sistema de verdade”, e não só planejamento bonito.
O mesmo material que trouxe o checklist anterior também lista medições-chave para boa qualidade, incluindo completude, unicidade, atualidade, correção, realidade e consistência.
Recomenda-se priorizar métricas conforme caso de uso e usar data profiling e validação por regras para encontrar problemas.
Na prática do PCP, isso vira:
Pergunta que vale ouro para o time: Se você não tem pelo menos um conjunto pequeno de regras automáticas de validação, você está terceirizando a qualidade para a boa vontade (e a memória) das pessoas.
O paper da Production lembra que, mesmo com tecnologia e automação em armazéns, o fator humano segue presente — e erros operacionais viram divergência de inventário.
Isso conversa direto com PCP:
E o plano vai “dando errado”… até você normalizar o errado.
Você não deve “tentar qualidade em tudo”, porque nem todo dado é igualmente importante.
Então a lógica para PCP é:
E, principalmente: trate “dado” como parte do sistema de gestão, não como detalhe do sistema de TI.
O plano não “dá errado” porque o PCP é fraco.
Ele dá errado porque a empresa está pedindo que o PCP tome decisão com base em:
Se você quer elevar o nível do PCP, o caminho mais “disruptivo” não é começar discutindo algoritmo.
É começar discutindo verdade operacional.
Qualidade é o “estado” do dado (acurácia, consistência, atualidade etc.), enquanto governança é o conjunto de regras, papéis e processos para manter esse estado ao longo do tempo.
Porque PCP coordena decisões entre áreas, e desempenho depende de informação confiável sendo compartilhada; quando a informação é ruim, coordenação vira conflito e retrabalho.
Inventário e apontamentos, porque divergências entre físico e sistema causam ruptura falsa, perda de produtividade, custos e venda perdida.
Sim — o Gartner cita inconsistência entre fontes (silos) como um dos problemas mais desafiadores de qualidade de dados.
Há evidência acadêmica de que a inacurácia afeta produtividade e venda perdida, e que contagem cíclica é política usada para manter acurácia; materiais do ecossistema ASCM apontam que programas bem-sucedidos chegam perto de 100% de acurácia e eliminam inventário anual.
Sim: estudos descrevem práticas como perfilamento e validação por regras, que podem ser implementadas com consultas e rotinas simples, desde que haja escopo e prioridade bem definidos.
Apesar de não serem obrigatórios, são um grande diferencial, porque puxam o dado pra rotina (apontamento), fecham o ciclo de feedback e deixam a inconsistência visível rápido — desde que exista governança e validação.
Não é “obrigatório”, mas MDM é uma abordagem para criar uma fonte confiável e rastreável de dados mestres compartilhados, especialmente útil quando há múltiplos silos e duplicidade.
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