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Explicando a Aderência ao Plano de Produção

O artigo explica que a aderência ao plano de produção é um indicador-chave da eficiência operacional, medindo o quanto a execução segue o planejado. Mostra que analisar desvios de sequência, tempo e quantidade permite identificar problemas, melhorar decisões e aumentar a confiabilidade da produção.

Um exemplo prático explicando métodos e impactos na Eficiência Operacional no PPCP


A aderência ao plano de produção é um reflexo direto da eficiência operacional no ambiente de produção e desempenha um papel crucial no desempenho do Planejamento, Programação e Controle da Produção (PPCP). Este conceito, muitas vezes subestimado, pode ser a chave para transformar a operação de uma empresa, alinhando a execução com os objetivos estratégicos e maximizando o uso de recursos.

Mas como realmente calcular essa aderência? Quais metodologias são as mais eficazes em cenários complexos de produção? E, mais importante ainda, qual o impacto disso na operação, nos custos e no atendimento ao cliente? Vamos explorar os diferentes métodos de avaliação de aderência ao plano de produção e como essas métricas impactam a eficiência operacional.


O Papel da Aderência ao Plano de Produção

Esse indicador mostra o quão bem as operações estão executando o plano original. A medição de aderência vai além de confirmar se a quantidade foi produzida conforme o planejamento, permitindo que se monitore desvios na sequência de produção, no tempo de execução, no controle de estoques e em diversos outros fatores críticos. Para isso, diferentes métodos podem ser aplicados, e a escolha de qual usar pode transformar os resultados de um projeto.

A aderência precisa ser analisada sob diversas perspectivas e horizontes de tempo. Considerando horizontes diários e de períodos mais longos, a escolha de uma abordagem pode revelar padrões e insights de operação que impactam diretamente a eficiência e a tomada de decisões estratégicas.


Métodos de Cálculo da Aderência: Da Simplicidade à Complexidade

A análise de aderência ao plano de produção pode ser realizada de diversas maneiras, e a escolha do método adequado depende da natureza da produção e das necessidades específicas de cada operação. Nesse artigo, vamos explorar três das metodologias mais utilizadas.

Para exemplificar a diferença entre as metodologias, utilizaremos um exemplo hipotético de sequenciamento de ordens de produção para os dias 01 e 02 de janeiro. O sequenciamento utilizado como exemplo foi elaborado utilizando como critério principal a data de entrega dos pedidos acordada com os clientes e está ilustrado na imagem 1 e detalhado na tabela 1.

Imagem 1 – Sequenciamento hipotético para dia 01/01 e 02/01

Tabela 1 – Descrição do sequenciamento hipotético para dia 01/01 e 02/01

Além dessas informações, será considerada a execução hipotética das ordens de produção, conforme registrado nos mesmos dias. Foram realizadas alterações na sequência e nas quantidades das ordens de produção realizadas pela equipe operacional, na tentativa de otimizar o tempo de setup e evitar ociosidade. Os dados estão ilustrados na imagem 2 e descrito na tabela 2.

Imagem 2 – Apontamento das ordens realizadas no dia 01/01 e 02/01

Tabela 2 – Descrição das ordens realizadas no dia 01/01 e 02/01

1. Aderência por Volume Total: Uma Visão Macro da Produção

O método mais simples, mas eficaz para uma visão inicial, é calcular a aderência com base no volume total produzido em comparação com o volume planejado. Essa abordagem oferece uma visão macro da operação e é útil para identificar rapidamente se o volume produzido está dentro das expectativas. No entanto, em ambientes de produção complexos, onde a diversidade de produtos é grande, esse método pode não captar detalhes essenciais, como variações no mix de produtos ou na sequência de produção.

Equação 1 – Aderência à Produção por Volume Total

Apesar de sua simplicidade, este método pode não ser suficiente para avaliar a aderência em processos mais dinâmicos. No entanto, é amplamente utilizado para ter uma visão geral rápida, e pode ser ajustado para refletir os desvios entre o que foi planejado e o que realmente foi produzido. O impacto aqui é direto: esse cálculo simples permite identificar rapidamente possíveis discrepâncias de volume, mas não analisa profundamente o comportamento das ordens de produção.

Tabela 3 – Cálculo da aderência ao plano de produção por volume total diário

No exemplo apresentado, à primeira vista, parece que a empresa teve um excelente desempenho operacional, não apenas cumprindo o plano de produção, mas superando o volume planejado. No entanto, ao observar as entregas dos pedidos, nota-se que apenas 4 dos 6 pedidos foram entregues dentro do prazo, resultando em um On Time Delivery (OTD) de 66,67%. Isso certamente ocasionaria problemas no departamento comercial e logístico para lidar com os clientes e alterar a logística de entrega.

2. Aderência por Volume Ponderado por Ordem: Precisão na Análise das Ordens

Quando buscamos um nível de detalhamento maior, a metodologia de volume ponderado por ordem é uma alternativa mais robusta. Ela considera o volume produzido de cada ordem de produção, sem permitir que volumes em excesso ou faltas sejam mascarados. Essa abordagem oferece uma visão mais precisa da eficiência de produção, pois avalia como cada ordem está sendo cumprida em relação ao que foi planejado.

Equação 2 – Aderência à Produção Ponderada por Ordem

Tabela 5 – Cálculo da aderência ao plano de produção por volume ponderado a ordem para o dia 01/01

Tabela 6 – Cálculo da aderência ao plano de produção por volume ponderado a ordem para o dia 02/01

Tabela 7 – Cálculo da aderência ao plano de produção por volume ponderado para todo o período

Aqui, a aderência é calculada levando-se em conta o volume total produzido de cada item dentro de cada ordem, garantindo que não se percam detalhes importantes, como o cumprimento da quantidade exata de cada SKU. No entanto, quando o horizonte de análise é expandido para um período mais longo, esse método pode permitir que compensações de ordens atrasadas sejam feitas, gerando distorções se analisado isoladamente. Por isso, é importante entender que cada método oferece vantagens e limitações, dependendo da complexidade e da natureza da produção.

3. Build-to-Schedule (BTS): A Abordagem mais Detalhada e Punitiva

Agora, se o objetivo é alcançar a máxima precisão, especialmente em ambientes de alta complexidade, o Build-to-Schedule (BTS) é a metodologia a ser considerada. Essa abordagem vai além de apenas medir o volume produzido. Ela considera o mix de produtos, a sequência de produção e o volume de forma integrada. O BTS é uma métrica de aderência mais abrangente que penaliza qualquer desvio no planejamento.

Equação 3 – Aderência à Produção Build-to-Schedule

O cálculo de cada um dos fatores utilizados para compor o índice será descrito nas equações 4, 5 e 6.

Equações 4, 5 e 6 – Volume, Mix e Sequência de Produtos, respectivamente

A vantagem do BTS é que ele oferece uma visão extremamente detalhada da operação, avaliando os desvios em múltiplos fatores: volume, sequência e mix.

Tabela 8 – Tabela de cálculo do fator volume

Tabela 9 – Tabela de cálculo do fator mix

Tabela 10 – Tabela de cálculo do fator sequência

Com todos os fatores que compõem o índice BTS calculados, podemos prosseguir para o cálculo da aderência a programação. Os cálculos estarão descritos na tabela 11.

Tabela 11 – Cálculo da aderência ao plano de produção Build-to-Schedule

Quando comparado a outros métodos, o BTS pode parecer mais punitivo, pois lida diretamente com qualquer desvio. No entanto, para ambientes industriais onde a variedade de produtos e as complexidades operacionais são grandes, ele se torna uma ferramenta essencial. É ideal para operações onde o cumprimento rigoroso do plano de produção é crucial.


Comparação entre os métodos de cálculo da Aderência ao plano de produção

Após a aplicação das diferentes metodologias, foi possível observar divergências significativas nos resultados:

Tabela 12 – Comparação entre as diferentes metodologias de cálculo da aderência ao plano de produção

O método de volume total demonstrou maior eficácia em ambientes onde a produção segue a lógica “primeiro que entra, primeiro que sai” (PESP), uma vez que avalia o desempenho global considerando apenas o volume global de produção.

Já a ponderação por ordem, ao levar em conta o volume produzido em cada ordem como limitação ao volume máximo considerado, acaba por possuir uma robustez maior ao comparar horizontes curtos. Porém, ao comparar horizontes longos, acaba permitindo que seja compensado ordens em atraso, mesmo que fora da sequência planejada.

Por fim, o Build-to-Schedule, por utilizar critérios mais amplos como volume, mix e sequência, fornece uma visão mais detalhada e penaliza cada desvio em relação ao planejamento, tornando sua aderência mais baixa em casos de não conformidade com mais de um critério.

Isso demonstra que, embora cada método possua sua aplicabilidade específica, o Build-to-Schedule se destaca por sua capacidade de fornecer uma análise mais completa em cenários de alta complexidade, enquanto os outros métodos podem ser mais eficazes em contextos menos dinâmicos.


Como Escolher o Método Ideal para Sua Produção?

A escolha do método de cálculo da aderência ao plano de produção não é trivial. Ela depende de diversos fatores, como a complexidade da produção, a variabilidade dos produtos, o nível de detalhamento necessário e as estratégias empresariais. Vamos considerar algumas perguntas-chave que podem guiar essa escolha:

  • Qual é o nível de complexidade da sua produção? Se sua produção é composta por uma linha diversificada de produtos, o método de Build-to-Schedule (BTS) pode ser o mais indicado. Caso contrário, em ambientes mais simples, o volume total pode ser suficiente para uma análise inicial.
  • Você precisa de uma visão macro ou detalhada da aderência? Para uma visão geral rápida, o método de volume total é mais eficiente. Porém, para analisar o cumprimento real de cada ordem, a ponderação por ordem traz um nível de detalhe muito maior.
  • Como o seu processo produtivo reage a desvios? Se o processo de produção tem alta flexibilidade para compensar desvios, o método de volume ponderado por ordem pode ser suficiente. Para empresas onde a sequência e o mix de produtos são críticos, o BTS será mais adequado, pois ele penaliza os desvios nos três critérios (volume, mix e sequência).

O Impacto da Aderência no Planejamento e Execução da Produção

Uma boa aderência garante que a capacidade produtiva seja bem utilizada, evitando desperdícios, como o excesso de estoques em andamento e a oportunidade de ociosidade. Ao monitorar de perto os desvios, a equipe de PPCP pode ajustar rapidamente as operações para manter o processo no rumo certo.

Além disso, a aderência influencia diretamente na satisfação do cliente. Se o planejamento é seguido de forma rigorosa, os prazos de entrega serão cumpridos, o que significa menor risco de penalidades e custos extras devido a falhas no atendimento.

Por fim, vale ressaltar que não existe um único método perfeito. A melhor abordagem pode ser combinada, utilizando diferentes métodos de aderência conforme o cenário e a complexidade da produção. Por exemplo, um sistema que integre tanto o volume total para uma visão geral quanto o BTS para os casos mais críticos pode oferecer uma análise muito mais eficaz, conectando diferentes níveis de profundidade técnica conforme as necessidades da operação.


Agora, é hora de se perguntar: Como sua empresa está monitorando e ajustando a aderência ao plano de produção? Você está utilizando o método correto para o seu tipo de produção? O que os dados de aderência podem te revelar sobre a eficiência operacional e o impacto no atendimento ao cliente?

A resposta a essas perguntas pode transformar a maneira como você gerencia a produção e a satisfação do cliente.

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