Consultoria APS, S&OP e MES para Indústrias | LSB Siemens Partner
Setenta por cento das grandes transformações não atingem seus objetivos — mas a causa quase nunca é o software. As falhas se concentram em pessoas, processo e dado. Go-live não é sucesso; sucesso é adoção real, medida por quem opera. A escolha da ferramenta NÃO É a decisão mais determinante do projeto. Quem decide o ROI é gente, não a tecnologia.
Setenta por cento. Essa é a fração de grandes transformações que não atingem seus objetivos, segundo a pesquisa da McKinsey citada repetidamente pela própria consultoria. Análises mais recentes pioram o quadro: o estudo da Bain & Company de 2024 aponta que 88% das transformações de negócio não alcançam a ambição original.
Se você dirige PCP, Supply Chain ou operações numa indústria de operação complexa, esse número não é abstrato. Ele é o projeto de APS que entrou no ar e voltou para a planilha em três meses. É o MES implantado que ninguém usa do jeito que foi desenhado. É o orçamento de sete dígitos que terminou com a operação reprogramando na mão, como antes.
A pergunta que importa não é se projetos falham (os números já responderam). É o que os faz falhar. E aqui está o ponto que a maior parte do mercado evita dizer: na esmagadora maioria dos casos, não é o software.
Quando a McKinsey investigou por que as transformações descarrilam, a lista de causas não tinha quase nada de tecnológico. As raízes do fracasso são diretas: o CEO frequentemente não estabelece uma aspiração suficientemente alta; nas fases iniciais, não constrói convicção no time sobre a importância da mudança nem cria uma narrativa que convença as pessoas de que precisam fazê-la acontecer; as pessoas na organização não compram a ideia e não querem investir energia extra; ou a liderança não endereça as competências da equipe.
Releia essa lista. Aspiração, convicção, narrativa, adesão, competências. Tudo gente. Tudo processo. Nada de licença de software.
O setor de planejamento industrial conhece bem esse padrão em sua versão própria: entre 55% e 75% dos projetos de ERP falham em atingir os objetivos, e as três causas mais citadas são: gestão da mudança inadequada, migração de dados ruim e equipes inexperientes. São todas preveníveis. Nenhuma delas é “o sistema não funciona”.
A tese:
Os softwares de planejamento industrial já são, em sua ampla maioria, tecnologias maduras. Quando um projeto fracassa, o que fracassou foi a execução do projeto: o diagnóstico mal feito, o dado sujo, a mudança não conduzida, a equipe não preparada. Quem decide o ROI é gente, não a ferramenta.
Existe uma confusão silenciosa que faz projetos parecerem bem-sucedidos quando não são: tratar o go-live como linha de chegada.
Go-live é o momento em que o sistema passa a estar tecnicamente disponível. Sucesso é o momento — meses depois — em que o programador de produção confia no plano que o sistema gera, a diretoria toma decisão de capacidade olhando para ele, e ninguém mantém a planilha paralela “só por segurança”. São coisas diferentes, e a distância entre elas é exatamente onde mora a maior parte dos 70%.
A pesquisa mais incômoda sobre isso mede o sucesso pelos olhos de quem usa, não de quem implanta. Numa análise da McKinsey, apenas cerca de 26% dos esforços de transformação foram considerados bem-sucedidos pelas pessoas envolvidas. Quando se pergunta só ao pessoal da linha de frente, esse número despenca para perto de 6%. Ou seja: um sistema pode estar “no ar”, contabilizado como entregue no relatório de status, e ser invisível (ou inútil) para quem deveria operá-lo todos os dias.
Para uma indústria, isso tem tradução concreta. Um APS que gera a programação mas que o chão de fábrica ignora não reduziu setup nenhum. Um MES que coleta dado que ninguém analisa não melhorou OEE. A tecnologia foi instalada; a mudança, não.
Se as causas são previsíveis, vale nomeá-las com precisão. Três se repetem em quase todo projeto industrial que decepciona.
Repare no que essas três causas têm em comum: nenhuma se resolve trocando de fornecedor de software. Todas se resolvem antes, durante e depois, no método, não no produto.
Se 70% falham e a causa quase nunca é a ferramenta, a conclusão prática é desconfortável para o jeito como a maioria dos projetos é comprado: a escolha do software é a decisão menos determinante do projeto.
Isso NÃO significa que a tecnologia seja irrelevante, mas sim que ela é necessária e insuficiente. Um portfólio de MOM líder global resolve o “com o quê”. Ele não resolve, sozinho, o “com quem”, o “sobre qual dado” e o “dentro de qual processo”. Esses três últimos são fatores extremamente decisivos, mas também são exatamente os que os comitês de compra costumam tratar como “detalhe de implantação”.
A virada de chave é avaliar um projeto não pela data de go-live, mas pela adoção real medida por quem opera. Se a proposta que está na sua mesa fala 80% de funcionalidades do sistema e 20% de diagnóstico, dado, capacitação e adoção, ela está otimizando para entrar nos 70%, e não para sair deles.
Antes de comparar fornecedores de software, descubra onde sua operação está mais exposta. O Diagnóstico de Maturidade LSB mapeia os três pontos onde o ROI costuma vazar — dado, processo e adoção — e mostra o que precisa estar resolvido antes de qualquer escolha de tecnologia.
Para entender o quadro completo do que faz projetos de planejamento falharem e como evitá-lo de ponta a ponta, leia o nosso guia “Por que projetos de planejamento falham — e por que o software quase nunca é o culpado“.
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